domingo, 6 de agosto de 2017

Gênesis — Estudo 050 — A TORRE DE BABEL — PARTE 002 - DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS


torre de babel

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
            Eretz   ha  ve-et  Hashamaim  et         Elohim           Bará        Bereshit
            Terra  a      e        céus       os        Deus         criou   princípio No
                                                                                     Gênesis 1:1

CONTINUAÇÃO

XII — Gênesis 11 — “Deram com uma Planície na Terra de Sinear”.

E. Arqueologia: O Que Sabemos Acerca da Chamada Torre de Babel.

A primeira coisa que deve chamar nossa atenção neste contexto é que a expressão “Torre de Babel” foi cunhada por historiadores, antropólogos e arqueólogos. A mesma não ocorre em nenhuma passagem do Antigo Testamento. Todavia, também devemos notar que o uso desta expressão, “Torre de Babel” pelos estudiosos faz referência direta à narrativa que encontramos em Gênesis 11. Eles chamam de “Torre de Babel”, a uma torre que foi construída na planície de Sinear por um povo viajando para o leste. O propósito da torre era “alcançar o céu”. Mais próximo do que o que encontramos em Gênesis 11 é impossível.

Para que possamos entender melhor a estrutura desta “Torre de Babel” é necessário entendermos um pouco acerca do formato geral em que eram construídas as torres-templos na antiga Babilônia.

1. Forma Física das Torres-Templos Construídas na Babilônia da Antiguidade.

O fato de o Antigo Testamento usar a expressão hebraica מִגְדָּל migddal para se referir à torre construída na planície de Sinear pode ser elusivo. Esa expressão descreve de uma maneira precisa as torres construídas na Palestina, mas estas torres eram muito distintas em sua forma, daquelas que eram construídas na Babilônia. A expressão hebraica descreve apenas uma “torre de vigia”, que era normalmente representada por uma estrutura bastante alta, mas sem um formato padrão. Normalmente tal tipo de torre, na Palestina, era fruto do projeto de um arquiteto, mas sua forma final variava bastante em função da mão de obra disponível bem como do terreno em que a mesma seria construída. A “Torre de Babel” era um tipo de torre que possuía uma estrutura bastante peculiar às civilizações que floresceram na Babilônia e na Assíria. Descobertas arqueológicas nos ensinam que as torres edificadas na Babilônia tinham um formato retangular em suas bases. Elas eram construídas em estágios — andares ou plataformas — e possuíam uma rampa em cada um dos seus lados — em forma de degraus — que possibilitavam o deslocamento das pessoas da base até o topo das mesmas e vice-versa. Essas torres eram geralmente usadas para a prática de cerimônias religiosas e, por esse motivo, muitas delas eram encimadas por capelas onde objetos sacros e imagens de divindades podiam ser encontradas.

2. O Nome Sagrado das Torres da Babilônia: Zigurate.

Os babilônios utilizavam uma palavra especial para se referirem às suas torres: ziqquratu ou zigurate[1] em português. O significado dessa expressão estava repleto de significado. Ela era utilizada para se referir ao topo da montanha onde Utnapishtim — o equivalente Babilônico do personagem bíblico que conhecemos por Noé — teria desembarcado da arca e onde ele teria oferecido sacrifícios após o dilúvio. Por este motivo existia um misticismo muito grande envolvendo essas torres. Ao alcançar o topo o adorador era sempre lembrado que ele estava no “topo” da montanha onde a arca pousou.

3. A Localização da Torre de Babel.    

Onde, exatamente, foi construída a Torre de Babel? As opiniões são as mais variadas possíveis. A grande maioria dos autores que escrevem acerca da “Torre de Babel” acaba acomodando sua localização seguindo as tradições judaicas e árabes. Essas tradições identificam a “Torre de Babel” com o grande templo do deus Nebo — patrono da cidade — localizada em Borsippa — moderna Al Hillah, localizada no Iraque, a sudeste da capital Bagdá e cerca de 100 quilômetros ao sul do sítio arqueológico da cidade de Babilônia. Este templo é chamado nos dias de hoje de “Birs-Nimroud” que quer dizer “Torre de Nimrode”. Essa torre deve ter sido construída alguns séculos depois daquela que estamos chamando de “Torre de Babel” e deve, em vários aspectos, se parecer bastante com a original. Birs- Nimroud é uma construção constituída de sete plataformas construídas umas em cima das outras e que vão diminuindo de tamanho à medida que a torre vai se elevando. Ela é assim constituída:

a. A base da torre é construída com tijolos crus, ao passo que as plataforma sucessivas são construídas com tijolos assados e pintados. Cada plataforma é pintada de uma cor diferente em honra a divindades ou planetas.

b. O primeiro estágio era pintado com a cor preta em honra ao planeta Saturno e media cerca de 90 metros quadrados e sua altura era de aproximadamente 9 metros.

c. O segundo estágio, pintado na cor laranja em homenagem a Júpiter media 76 metros quadrados com uma altura aproximada de 9 metros.

c. O terceiro estágio dedicado à Marte era pintado de vermelho e media 63 metros quadrados e também se elevava a 9 metros de altura.

d. O quarto estágio era dourado como o Sol e media 48 metros quadrados e sua altura era de 5 metros.

e. O quinto estágio representava Vênus e era pintado de amarelo claro. Este estágio media 30 metros quadrados e também se elevava a 5 metros de altura.

f. Mercúrio era honrado no sexto estágio que era pintado de azul escuro. Esta plataforma media 21 metros quadrados e sua altura era de 5 metros.

g. A última plataforma media cerca de 7 metros quadrados de área por 5 metros de altura. Era pintada de prata e homenageava a lua.

h. Em cima do último estágio encontrava-se uma capela que devia ocupar, praticamente, toda a área.

i. A altura total desta torre, cerca de 47 metros, correspondia a 1/3 da altura da maior pirâmide do Egito.

j. Ainda é possível enxergar os pequenos tijolos cozidos ligados por betume, conforme era o costume dos construtores.  

Essa construção, todavia, independentemente da sua importância, nunca foi aceita pelos babilônios como sendo a “Torre de Babel” e isso por um motivo muito simples. Ele está localizado na cidade de Borsippa e não na cidade de Babilônia! A confusão aumenta quando ficamos sabendo que a cidade de Borsippa foi, no passado, chamada de “segunda Babilônia”. Mas se este último fato prova alguma coisa, prova apenas que este não era o nome original da cidade.

A construção considerada pelos babilônios como a “grande torre” de sua antiga cidade é chamada de “E-temen-ana-ki” que quer dizer “Templo ou Casa da Fundação dos Céus e da Terra”. Este é a mesmo torre que foi chamada de “ziqqurat BâBîli” ou “A Torre da Babilônia” pelos reis Nabopolassar e Nabucodonosor. A torre era parte do complexo do templo conhecido na Antiguidade como “Esagila”, localizado no centro da cidade antiga da Babilônia, e era dedicado ao deus Merodaque e sua consorte Zer-panîtum, que eram duas das maiores divindades do panteão babilônico. Esse templo encontra-se no sítio arqueológico que pertence ao complexo babilônico. Sua descoberta moderna remonta ao início do século XX por intermédio do arqueólogo alemão Robert Koldewey e sua equipe. De acordo com as descobertas recentes a cidade da Babilônia era dividida em duas partes desiguais pelo rio Eufrates. A parte mais antiga, onde se encontravam a maior parte dos templos e dos palácios — a leste do rio Eufrates — e a chamada “cidade nova”, que se encontrava a oeste do rio.

4. A Posição da Torre de Babel dentro da Cidade.

A estrutura que é referida como sendo a “torre de Babel” estava situada na parte sul da cidade antiga da Babilônia, no lado leste do rio Eufrates. O sítio atual é constituído de uma depressão onde originalmente teria existido o alicerce retangular da torre feito de tijolos. Baseados neste formato os árabes chamaram o local de “Sahan” ou “o disco”. Os tijolos produzidos pelos babilônios — ver Gênesis 11:3 — eram tão bons que possuem valor comercial até mesmo nos nossos dias. Tradições locais dizem que boa parte dos tijolos que eram parte da base da “torre” foram retirados e reaproveitados para realizar consertos nas margens do Canal Handiyah — esse canal conecta o afluente Handiyah do rio Eufrates à cidade de Kárbala no Iraque. Alguns desses tijolos, em forma de “cilindros cônicos”, surgiram no mercado internacional e foram adquiridos por vários museus da Europa e dos Estados Unidos. Esses tijolos pertenciam ao grupo mencionado em escritos babilônicos como parte do material utilizado para a restauração da torre feita por Nabopolassar. São também mencionados nos reinados posteriores de Nabucodonosor e de Nabû-sum-lisir como tendo sido capturados como despojos de guerra.  

5. A Descrição Babilônica da Torre.

Como já nos referimos — ver item 3 acima — os babilônios chamavam a torre do complexo de Esagila de E-temen-ana-ki. Essa torre era constituída de seis estágios construídos sobre uma plataforma. No topo da torre encontrava-se um santuário. Por volta de 1876 um tablete contendo, ao que parece, uma detalhada descrição da torre “apareceu” entre os pertences de um arqueólogo chamado George Smith. Sua morte, inesperada, não lhe permitiu traduzir o tablete e muito menos publicar o mesmo. Mas seu relato acerca do tablete foi publicado naquele mesmo ano e compõe um relato fascinante. De acordo com o que George Smith escreveu a torre possuía um pátio ou área externa que media 385 metros de comprimento por 300 metros de largura. Dentro deste pátio existia um segundo pátio – chamado de “o Pátio de Ishtar e Zagaga” — que tinha 355 metros de comprimento por 150 metros de largura. No perímetro ao redor do pátio externo existiam seis grandes portões que serviam como pontos de entrada ao complexo. Estes portões eram: 1) O Portão Monumental; 2) O Portão do Sol Nascente — lado leste; 3) O Portão Grande; 4) O Portão do Colosso; 5) O Portão do Canal e 6) O Portão da “Vista da Torre”.

6. A Plataforma da Torre.

No interior dos pátios havia uma plataforma murada a qual era marcada por quatro portões de bronze, cada uma deles voltado para um dos pontos cardeais. Os portões eram chamados de Norte, Sul, Leste e Oeste. Do lado de dentro do muro existia um edifício que media cerca de 70 metros de comprimento em cada uma de suas laterais. O nome desse edifício foi danificado de tal forma que sua natureza e uso são desconhecidos.

7. As Capelas e os Santuários.

Ao redor da base da torre existiam vários templos ou capelas dedicados a diversos deuses da Babilônia. No lado leste havia 16 santuários, sendo o principal deles dedicado ao deus Nebo bem como à sua consorte Tasmêtu. Ao norte poderíamos encontrar dois templos dedicados aos deuses Ea e Nusku, respectivamente. No lado sul achava-se um único templo dedicado aos deuses Anu e Bel. Mas era no lado oeste que se encontrava o prédio mais importante. Essa construção era composta por uma casa dupla com um pátio entre suas partes. O pátio entre essas construções media 20 metros de comprimento, aproximadamente. As casas não eram simétricas. A casa de um dos lados media 33 metros de comprimento por 7 metros de largura. A casa do outro lado media 55 metros de comprimento por 34 metros de largura. Era nessa casa maior que se encontravam, em um salão, uma grande imagem do deus Bel-Merodaque sentado sobre um trono construído sobre uma sólida base. Ao lado da imagem encontrava-se uma grande mesa. Todos esses elementos eram de ouro maciço e os caldeus disseram ao historiador grego Heródoto que todo o conjunto havia consumido mais de 22 toneladas de ouro. Registros posteriores mencionam o fato de que o rei persa Dario, filho de Hystaspis desejou possuir essa estátua ou outra medindo 5 metros de altura, mas não teve a coragem necessária. Seu filho Xerxes, todavia, não somente se apossou da tal estátua como também matou o sacerdote que tentou impedi-lo de concretizar seu desejo.

Do lado de fora desse segundo salão era possível ver dois altares dedicados à divindade Bel-Merodaque. O primeiro era de ouro maciço e sobre ele eram oferecidos somente animais pequenos e que ainda mamavam. No outro altar eram sacrificados animais crescidos — preferencialmente ovelhas. Neste altar maior também eram oferecidas 2,5 toneladas de incenso perfumado todos os anos durante as festividades em honra ao deus Bel-Merodaque.  

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017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
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052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Templo babilônio antigo em forma de torre piramidal, com plataformas recuadas e sucessivas, degraus externos e santuário no topo

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