quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 25:31—46 — A PARÁBOLA DAS OVELHAS E DOS CABRITOS — SERMÃO 022


Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.


Sermão 022

A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

Mateus 25:31—46 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

31 Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória;

32 e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas;

33 e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda;

34 então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.

35 Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes;

36 estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me.

37 Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?

38 E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?

39 E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?

40 O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

41 Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.

42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

43 sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me.

44 E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos?

45 Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer.

46 E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.

Introdução

1. Existem 39 parábolas contadas por Jesus registradas nos Evangelhos.

2. A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos é contada exclusivamente por Mateus.

3. Esta parábola trata de um tema extremamente complexo e desagradável. Mas mesmo sendo desagradável, como está na Bíblia nós precisamos seguir o exemplo de Paulo e expor todo “o conselho de Deus”.

4. O tema tem a ver com o destino eterno das pessoas. Este assunto é tão delicado, mesmo na revelação divina, que somente o próprio Senhor Jesus falou acerca destas verdades. O apóstolo Paulo, o apóstolo Pedro, Tiago, Lucas e o autor de Hebreus não usam as expressões inferno, fornalha acesa e geena. O apóstolo João faz uso destas palavras bem como da expressão lago de fogo, mas ele se refere ao que ouviu ou lhe foi mostrado por um anjo. Uma única exceção pode se atribuída a João Batista que usa a expressão “fogo inextinguível”.

5. Este assunto é tão controvertido que a maioria dos pastores prefere ignorá-lo ou, o que é pior, se arvoram a ir contra o mesmo defendendo a idéia da aniquilação dos ímpios.

6. Com a ajuda de Deus queremos entender o que o Senhor Jesus quis nos ensinar nesta parábola e como encontramos nela tanto palavras de advertência quanto de consolação.

I. A Parábola.


A. Os Animais

1. Jesus inicia esta lição chamando a atenção dos ouvintes para uma cena bucólica muito familiar aos seus ouvintes.

a. Um pastor possui um rebanho composto de ovelhas e cabritos. Estes animais são muito distintos.

b. A pelagem das ovelhas e dos cabritos são distintas como nós bem sabemos.

c. Cabritos preferem comer folhas e brotos de plantas enquanto que carneiros preferem pastar.

d. Mesmo pertencendo a um mesmo pastor cabritos e ovelhas não se misturam.
e. Ovelhas atendem ao chamado do pastor no final do dia enquanto que os cabritos muitas vezes o ignoram.

f. À noite as ovelhas preferem ficar ao ar livre enquanto os cabritos buscam abrigo, pois não suportam o frio.

2. Jesus diz que o pastor separa os cabritos das ovelhas.

a. No Antigo Testamento as ovelhas eram vistas como símbolo de obediência silenciosa e sua lã branca era entendida como símbolo de justiça. É assim que Jesus é descrito como cordeiro de Deus.

b. Por sua vez os bodes — cabritos adultos — foram usados como símbolo portador do pecado:

Levítico 16:20—22

20 Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar, então, fará chegar o bode vivo.

21 Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniqüidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso.

22 Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para terra solitária; e o homem soltará o bode no deserto.

3. A separação entre a direita e a esquerda apenas indica os conceitos da época, que perduram até os dias de hoje, de que o lado direito indica aquilo que é bom enquanto o esquerdo é usado para se referir a algo sinistro, sombrio, mau e vil. Não existe nas palavras de Jesus nenhuma conotação política moderna.

4. Todas as ovelhas e todos os cabritos, indistintamente, serão trazidos à presença do pastor para que faça a devida separação. Nenhuma será isentada nem dispensada.

B. O pastor.

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1. Um fato que não pode passar despercebido é que o mesmo Jesus que seria massacrado e morto em apenas 2 dias se apresenta como:

a. O Filho do Homem – uma referência direta a

Daniel 7:13—14

13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.

14 Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.

b. O pastor que separa as ovelhas dos cabritos.

c. O Rei e o Juiz.

d. O filho de Deus já que chama Deus de Pai.

e. O Senhor em cujas mãos se encontra o destino eterno das almas.

2. Essa separação é algo comum no evangelho de Mateus:

a. João Batista fala da separação entre o trigo — armazenado no celeiro — e a palha — queimada em fogo inextinguível — ver Mateus 3:12.

b. Em Mateus 13:30 Jesus falou do joio sendo separado do trigo e atado em feixes para ser queimado.

c. Em Mateus 13:49—50 — Jesus nos fala dos anjos vindo no tempo do fim para separar os justos dos maus e de como os ímpios serão jogados em uma fornalha acesa.

d. Em Mateus 25:12 Jesus diz às virgens néscias: “Não vos conheço”. E com isto a impede de entrarem para as bodas.

e. Em Mateus 25:30 Jesus nos diz que o servo negligente e mau foi lançado para fora, nas trevas.

f. O mesmo princípio da separação se aplica nesta parábola,

C. O Julgamento


1. O julgamento será universal:

a. Todas as nações serão reunidas diante do Juiz.

b. Seremos julgados tanto de forma coletiva quanto de forma individual

2. A questão crucial levantadas pelas expressões “benditos” e “malditos”.

a. Os particípios no Grego do Novo Testamento: São chamados de particípios os adjetivos verbais que são palavras que reúnem características tanto de verbo como de adjetivo.
b. A palavra grega εὐλογημένοι eulogeménoi – benditos é um particípio do verbo εὐλογέω eulogéo – bendizer/louvar no tempo perfeito e na voz passiva. Em português podemos dizer que o tempo perfeito no grego se refere a um estado atual que, geralmente, é resultado de um acontecimento do passado. Somos benditos hoje e no dia do juízo porque Deus nos abençoou no passado. O apóstolo Paulo diz que Deus nos abençoou desta maneira antes da fundação do mundo.

c. Da mesma maneira a palavra “preparado” traduz a expressão grega ἡτοιμασμένην etoimasménen que é um particípio do verbo ἡτοιμάζω etomimázo — preparar no tempo perfeito e na voz passiva. Essa palavra nos ensina de modo inequívoco que não podemos preparar nossa própria salvação nem fazer nada que possa contribuir para a mesma. Não existe uma evolução espiritual como proposta pelos espíritas, nem uma justiça de boas obras como proposta pela grande maioria das religiões, especialmente a Católica Romana.

d. Seguindo esta linha de pensamento a expressão grega κατηραμένοι kateraménoi – malditos, é um particípio do verbo καταράομαι kataráomai — amaldiçoar no tempo perfeito e na voz passiva. Assim temos que da mesma maneira que os salvos foram abençoados os ímpios foram amaldiçoados por Deus.

e. Como os salvos são convidados a entrar em um reino previamente preparado para eles os ímpios são ordenados a entrar em um inferno que não havia sido preparado para eles, e sim para o Diabo e seus anjos.

f. Diferentemente da bênção que foi outorgada antes da fundação do mundo a Bíblia não diz nada a respeito de quando a maldição foi proferida.

3. As distinções entre benditos e os malditos.
                 
Benditos
Malditos
Ovelhas
Cabritos
Colocados à Direita
Colocados à Esquerda
Vinde
 Benditos de meu Pai
Apartai-vos de mim
Malditos
São convidados a tomar posse do reino
São enviados ao fogo eterno
Vida Eterna
Castigo Eterno

4. A identificação entre Cristo e Seu povo e as implicações em como o povo de Deus é tratado.

a. Quem nos enviou ao mundo para pregarmos foi o Senhor Jesus.

b. Somos seus representantes, não falamos em nosso próprio nome e sim em nome dele.

c. A melhor ilustração desta verdade pode ser vista no encontro entre Jesus e Saulo de Tarso quando este se encaminhava para a cidade de Damasco — ver Atos 9:1— 6.

5. Os atos de bondade mencionados causam reações diferentes dos salvos e dos ímpios.

a. Os salvos se surpreendem de saber que cada vez que fizeram algo certo o fizeram para o Senhor o que é uma prova incontestável da sinceridade deles. As boas obras não são a raiz que os salva e sim os frutos da graça que os salvou.

b. Os ímpios também se surpreendem de saber que ao agir de modo errado estavam errando contra o Senhor e Juiz de todos. Não existe pecado pior do que recusar ouvir os emissários de Deus. As palavras de Jesus acerca das cidades impenitentes e para as mulheres de Jerusalém são auto-evidentes.

Mateus 11:20—24

20 Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:

21 Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.

22 E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.

23 Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.

24 Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.

Lucas 23:27—28

27 Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam.

28 Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!

II. Conclusão

1. O filho do Homem é Rei e o Soberano Senhor e Juiz.

2. Não existe meio termo acerca da resposta humana à obra salvadora de Cristo. Só existem duas posições: aceitar ou rejeitar.

3. Gostemos ou não destas idéias a conclusão de Cristo a esta parábola para os dois grupos é que o veredicto para ambas as partes é final e irrevogável.

4. Nossa decisão hoje determina nosso destino eterno. De que lado queremos ficar? À direita com as ovelhas ou à esquerda com os cabritos?

5. Como queremos passar para a eternidade? Como benditos ou como malditos?



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado Neves,

      Deus te abençoe,

      irmão Alex

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  2. Amém glória a Deus aprendi hoje muito como é bom ser ovelha. Ela ouve e obedece o seu pastor nós temos que obedecer o nosso pastor que Deus colocou para cuidar de nós. E mais ainda o nosso eterno pastor Jesus👏👏👏👏👏👏😀😍

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