segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Gênesis — Estudo 051 — A TORRE DE BABEL — PARTE 003 — A TORRE DE BABEL E A HISTÓRIA


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Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
            Eretz   ha  ve-et  Hashamaim     et      Elohim        Bará        Bereshit
            Terra  a      e        céus       os        Deus         criou   princípio No
                                                                                     Gênesis 1:1

CONTINUAÇÃO

XII — Gênesis 11 — “Deram com uma Planície na Terra de Sinear”.

E. Arqueologia: O Que Sabemos Acerca da Chamada Torre de Babel — CONTINUAÇÃO.

8. O Primeiro Estágio da Torre.

Bem no centro desse complexo de edifícios encontrava-se a grande torre, composta de estágios ou plataformas elevadas e que era chamada pelos babilônios de “Torre de Babel” ou “Ziqqurat Bâbîli”. À medida que a torre se elevava a dimensão dos estágios diminuía. Aparentemente os estágios eram quadrados em seu formato, apesar da base da torre ser retangular. O primeiro estágio media 100 metros de comprimento por 100 metros de largura e tinha a altura de 36 metros. Este estágio estava decorado de acordo com as técnicas características da arquitetura Assírio-Babilônica.
 
9. Os Estágios Seguintes.

O segundo estágio media 86 metros de comprimento por 86 metros de largura e tinha uma altura de cerca de 20 metros. Do terceiro estágio até o quinto foi mantida uma mesma altura fixada em 7 metros aproximadamente. As plataformas por sua vez tinham as seguintes medidas:

O Terceiro estágio media 67 metros de comprimento por 67 metros de largura.

O Quarto estágio media 57 metros de comprimento por 57 metros de largura.

O Quinto estágio media 47 metros de comprimento por 47 metros de largura.

O Sexto estágio está omitido, mas assume-se que tivesse aproximadamente 37 de comprimento por 37 metros de largura.

10. A Capela no Topo da Torre.

NesSa plataforma encontrava-se aquilo que foi chamado de sétimo estágio por Smith e que consistia do “templo superior ou o santuário de deus Bel-Merodaque”.  O templo media cerca de 27 metros de comprimento, por 20 metros de largura e 17 metros de altura. Smith não menciona nenhuma estátua, mas é de se supor que a mesma existisse entronizada na parte mais alta do templo. Somando-se todas as alturas mencionadas nós podemos concluir que a altura total da torre era de 100 metros, o que corresponde à mesma medida do comprimento da sua base.

Por essa descrição que acabamos de fazer é impossível dizer se a torre era uma construção bela aos olhos. Mas certamente podemos deduzir que havia certos simbolismos em suas medidas.

11. A Descrição Feita por Heródoto.

A descrição de Heródoto concorda com a descrição feita pelos babilônios. Segundo o historiador grego a estrutura externa do templo media 403 metros de cada lado e no centro desta estrutura estava uma torre quadrada que media 102 metros de cada lado. Para Heródoto a torre era composta de oito estágios, mas isto se deve ao fato de que ele considerava a base e o templo no topo como dois estágios distintos dos outros seis. De acordo com essa descrição o topo era alcançado mediante o galgar de escadas que circundavam a torre. A linguagem não nos permite afirmar categoricamente que existia uma escadaria em forma de espiral, mas esta possibilidade existe. No meio do caminho o peregrino encontrava um conjunto de assentos onde podia descansar e recobrar o fôlego.

No topo da última plataforma havia uma construção onde se encontravam um grande divã bem revestido — de acordo com George Smith esse divã media 5 metros de comprimento por 2 metros de largura — e uma mesa de ouro. Não havia nenhuma imagem e nem era permitido nenhum ser humano passar a noite ali. A única exceção era feita para uma mulher local escolhida pelo próprio deus. De acordo com os sacerdotes locais esta divindade costumava visitar o local pessoalmente com certa frequência quando aproveitava e descansava no divã. Heródoto deixa claro que não acreditava nestas tolices. Ele menciona duas outras situações similares a essa. A primeira refere-se à cidade de Tebas no Egito e a outra à cidade de Pátara.

12. Os Construtores da Torre.     

Nós já tivemos a oportunidade de mencionar que a Bíblia não nos informa exatamente quem eram as pessoas que compunham o grupo que chegou à planície de Sinear e que decidiu construir a torre e sua cidade. Como os registros mais antigos que dispomos acerca desta torre foram produzidos por indivíduos que falavam o idioma sumério-acadiano, podemos apenas supor que os construtores tenham sido os ancestrais destes povos. Por outro lado, fica bem evidente que eles não acreditavam no que seus ancestrais lhes ensinaram acerca da fidelidade e cuidados do Deus único e verdadeiro —

Deuteronômio 7:9

Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos.

13. As Tradições Referentes à Destruição da Torre de Babel.

O texto bíblico do livro do Gênesis não apresenta nenhuma informação específica acerca do exato motivo porque a construção tanto da cidade quanto da torre foram paralisadas. Existe, entretanto, uma antiga tradição judaica que diz que a torre foi rachada no meio, do seu topo até seus alicerces, por um fogo enviado dos céus. Esta opinião existe porque refere-se ao atual estado da torre de “Birs-Nimroud” localizada em Borsippa e apontada por alguns como a verdadeira “Torre de Babel”, mas como já vimos esta torre não se encontra no sítio arqueológico da Babilônia da Antiguidade. Outra tradição fala acerca de um vento impetuoso que teria derrubado a torre sobre aqueles que labutavam para edificá-la.

14. O Significado de “Babel”.    

Existem dois significados bastante distintos para o termo Babel. Um diz respeito ao significado hebraico que encontramos na Bíblia e outro é o significado to termo no idioma original. Assim temos:
1. Em hebraico o termo בָּבֶל — Babel — tem sua etimologia derivada da expressão “balal” que quer dizer “confundir ou misturar”, daí o significado encontrado em Gênesis 11:9 onde lemos: “Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a terra...”

2. O significado na língua sumério-akadiana é, todavia, bastante diferente. A expressão original naquele idioma era “bâb-îli” que significa “portão de deus ou portão dos deuses”. Descobertas arqueológicas recentes indicam que, eventualmente, o nome original da torre, antes da ação de Deus que causou a paralisação das obras e a dispersão dos construtores, teria sido “Babalam” que significava “lugar de ajuntamento”.

15. A Destruição Definitiva da Torre e da Cidade de Babilônia.

De acordo com a narrativa bíblica é apenas natural que a construção da torre e da cidade tivessem cessado quando a confusão de línguas se estabeleceu. Com a partida dos construtores a paralisação da construção tornou-se irreversível. Todavia, de acordo com alguns historiadores, o grupo que permaneceu naquele lugar, reiniciou as obras tão logo a população voltou a crescer. Esse esforço acabou por transformar a cidade da Babilônia na cidade mais importante de todos os tempos. Babilônia se tornou uma cidade arquétipo — modelo ou padrão — de tudo o que as cidades sempre representaram em termos da rebeldia humana contra Deus, bem como em termos da arrogância humana em querer povoar a terra em seus próprios termos em vez de fazê-lo nos termos de Deus. Mesmo no último livro da Bíblia encontramos reflexos desta cidade arquétipo e somos informados da sua queda final e definitiva — ver Apocalipse 18.
A História registra que Felipe da Macedônia, bem como seu filho Alexandros, o grande, se dedicaram a limpar todo o entulho encontrado no local da antiga cidade da Babilônia e se empenharam em reconstruir o grande templo de Bel-Merodaque que era parte do enorme complexo onde se encontrava também a “Torre de Babel”. A morte prematura de Alexandros e a incapacidade mental de Felipe de administrar um império de tamanha magnitude acabaram por paralisar as obras iniciadas na cidade de Babilônia.
De acordo com o Rabi Yehanan, citado pelo Talmude Babilônico[1], a “Torre de Babel” ficou sem ser reparada desde o evento narrado na Bíblia em Gênesis 11. Em suas palavras “a torre era muito alta. Seu terço mais alto foi destruído e precipitado para o solo, outro terço foi completamente queimado e o último terço ainda estava em pé quando da destruição da cidade de Babilônia por Ciro[2].
Outros artigos acerca dO LIVRO DE GÊNESIS
001 — Introdução e Esboço
002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação
003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza
004 — Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra
005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida
006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR
007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA
008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1
009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2
010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia
011 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto Dia
012 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia
013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1
013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2
014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas
015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A
016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B
017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B
019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C
020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19
021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20
022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21
023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22
024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23
025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24
026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25
027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26
028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A
029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B
030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.
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032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.
033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.
034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?
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037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002
038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001
039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002
040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003
041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ
042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

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049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Talmud — Consiste de vastas anotações e comentários feitos ao Mishná. Os estudiosos que produziram esses materiais são chamados de “amoraim”. Existem duas tradições: 1) A primeira produziu o que ficou conhecido como o Talmude Palestino — Talmud Yerushalami — por volta do ano 400 d. C.; 2) A segunda produziu o massivo Talmude Babilônico — Talmud Bavli — por volta do ano 500 d. C. As tradições são completamente independentes e por ter demorado mais para ser escrito e por ser bem mais extenso, o Talmude Babilônico é mais estimado que o Talmude Palestino.

[2] Ciro – Nascido entre os anos de 590 — 580 a. C na Média ou Pérsis — atual Irã — faleceu no ano de 529 a. C. e ficou conhecido pelo epíteto de “o grande”. Foi um grande conquistador e o fundador do Império Acaemeniano, centrado na Pérsia e que se estendia desde o Mar Egeu até o rio Indu. Suas glórias foram cantadas pelo soldado e poeta grego Xenofontes em sua obra “Ciropaedia”. Nessa obra Ciro é descrito como sendo o monarca ideal. Os persas o consideravam o “pai do seu povo”. Na história bíblica, Ciro aparece como o libertador dos judeus do cativeiro babilônico.      

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