segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Gênesis — Estudo 053 — A TORRE DE BABEL — PARTE 005 — A INTERVENÇÃO DE DEUS


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Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 
O Livro do Gênesis
O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
             Eretz   ha   ve-et  Hashamaim  et      Elohim        Bará        Bereshit
            Terra  a      e        céus       os        Deus         criou   princípio No
                                                                                     Gênesis 1:1

CONTINUAÇÃO

XII — Gênesis 11 — “Deram com uma Planície na Terra de Sinear”.

G. A Intervenção de Deus - Gênesis 11:5 - 9.

Gênesis 11:5

Então, desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam.

A linguagem de Gênesis 11:5 apresenta certa dificuldade que tem sido muito explorada pelos críticos da fé cristã. Ela tem a ver com a linguagem que diz que o “SENHOR desceu para ver a cidade e torre”. Os críticos nos dizem que esse tipo de expressão “prova” quão ridículas são as crenças religiosas de todos os tipos. Mas nós não precisamos nos alarmar. A intenção dos críticos, como bem sabemos, é a de se aproveitar de todas as oportunidades para minimizar e ridicularizar a revelação divina, de tal forma que possam seguir fazendo com suas vidas aquilo que melhor entenderem. Tais atitudes são esperadas porque já foram previstas pela revelação bíblica —

Romanos 1:18—23

18 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;

19 porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.

20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;

21 porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.

22 Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos

23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.

Agora para todos aqueles que estão abertos a uma explicação que seja racional e não fantasiosa, basta dizer que durante o desenvolvimento da revelação divina, por muitas vezes, os autores bíblicos usaram expressões chamadas de antropomórficas[1]. Isto é algo aceito de forma tão pacífica pela maioria dos comentaristas bíblicos que eles não se dão sequer ao trabalho de responder aos críticos. Nossos comentaristas bíblicos agem desta maneira porque entendem que tal atitude crítica não passa realmente de má vontade por parte dessas pessoas que querem usar essas passagens, como desculpas para evitar discussões mais pertinentes a seus estilos de vida.

O verso 5 serve de ponte natural entre os versos 1—4 e 6—9 de Gênesis 11. Ele representa o ponto de rotação, onde a ênfase da história muda de foco saindo de cima dos “filhos dos homens” para centrar-se no SENHOR Deus. Ao caracterizar os construtores como בְּנֵי הָאָדָם benei haAdam — filhos de Adão ou filhos dos homens o autor bíblico não deixa nenhuma dúvida que a cidade e a torre pretendidas não passavam de invenções humanas e estavam destinadas a passar, assim como seus próprios construtores iriam também passar.

Existem algumas lições espirituais nesses versículo acerca das quais é nosso desejo chamar a atenção do leitor.

1. O SENHOR Deus é descrito como aquele cujo trono está nas alturas, mas que ao mesmo tempo acompanha tudo que se passa no céu e sobre a Terra — ver Salmos 113:5—6.

2. Sendo assim, é intenção do autor do Gênesis nos esclarecer que Deus não é precipitado em Seus juízos porque ele é um Deus justo — ver Salmos 7:11 — e não executa juízo sem pesar todos os aspectos envolvidos nas ações dos pecadores.

3. Como Deus teve que “descer” para ver a cidade e a torre, nós temos nessa afirmação uma indicação clara de que todas as nossas obras humanas, por mais gigantescas que sejam, são sempre ridículas comparadas com a grandeza verdadeira de Deus. Será mesmo que os homens poder chegar a serem mais sábios e mais fortes do que Deus? Veja a resposta em 1 Coríntios 1:25.

4. Como “filhos de Adam” aqueles construtores eram caracterizados como “filhos rebeldes” e como “filhos da ira” — ver Isaías 30:1 e Efésios 2:3.

5. Quando a Bíblia nos diz que “Deus desceu para ver”, não está dizendo que Ele veio para ser um espectador como alguém que vai ao estádio assistir a um evento qualquer. Ele desceu como SENHOR e Juiz. Como alguém que é poderoso para infligir pesada e definitiva derrota e humilhação a Seus adversários — ver Jó 40: 11—13.

6. O tempo que Deus permitiu que eles investissem construindo a cidade e a torre serviu ao mesmo propósito que o tempo em que Noé estava construindo a arca. Era o tempo que Deus estava concedendo para que aquele bando se arrependesse.

Gênesis 11:6

E o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.

Existem nesse versículo dois verbos בָּצֵר batzer — restringir e זְמוּ zemu — intentar. Estes dois verbos só aparecem juntos em apenas um único outro versículo em todo o Antigo Testamento. Mas os contextos são bem distintos. Nesse verso nós temos uma ponderação divina acerca das consequências da pecaminosidade humana e existe uma inferência de que Deus planeja “frustrar” o que o povo estava planejando. No outro, que está localizado em Jó 42:2, por sua vez, nós temos uma ponderação feita por Jó que reconhece que nada daquilo que Deus intenta pode ser restringido ou frustrado. Por esse motivo devemos nos lembrar sempre de

Isaías 8:13.

Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto.

Na compreensão de Deus, que conhece o fim de todas as coisas desde o início das mesmas, aquela circunstância envolvendo a construção da cidade e de uma torre era vista como sendo da maior gravidade. Para Deus algo precisava ser feito imediatamente por causa das consequências que viriam a seguir. A situação descrita em Gênesis 11 era tão grave que, caso aquele empreendimento seguisse livremente seu curso, o mesmo marcaria apenas o começo de uma nova situação onde, a partir daí, não haveria mais nenhuma restrição para tudo que os homens intentassem fazer. Este é o motivo que leva Deus a agir como o faz.

A ponderação feita pelo Senhor é marcada por dois fatos, a saber:

1. A unidade que existia entre o povo. Esta união representava, na prática, que muito da superfície do planeta ficaria sem habitantes porque aquele povo estava planejando ficar por ali mesmo e não se espalhar como era o desejo de Deus. A cidade e a torre representavam, ademais, uma concentração massiva de poder nas mãos de uns poucos e isto era um grave perigo para aqueles que pertenciam ao povo de Deus. Se o povo ficasse concentrado, como planejava, havia a real possibilidade de os eleitos de Deus serem absorvidos e destruídos por aquela estrutura. A expectativa era que a maldade, a pecaminosidade e a perversão deveriam atingir a níveis exorbitantes, como podemos ver acontecendo nos grandes centros urbanos do século XXI. Por este motivo Deus decide frustrar aquele plano.

2. A construção da cidade e da torre deve nos fazer parar e analisar a seguinte realidade: aqueles construtores apesar de pertencerem a famílias diferentes, de possuírem disposições distintas uns dos outros e de terem interesses diversos, todavia, eram unânimes em sua oposição a Deus. Era esse sentimento de oposição que os unia. Que pena! Os filhos de Deus dos nossos dias, por sua vez, apesar de terem todos uma cabeça comum — o Senhor Jesus Cristo — e de serem habitados por um mesmo espírito — o Espírito Santo — estão tão fragmentados que só podemos dizer: que vergonha! E entre pena e vergonha é difícil dizer quem está em situação pior.

3. Em terceiro lugar o Senhor entende as consequências da obstinação humana. Aquilo que os construtores estavam fazendo era apenas o início. E esse é outro motivo porque Deus decide atravessar no caminho daquele povo e desbaratar-lhe o desígnio. Através de palavras de admoestação e de exortação Deus havia tentado dirigir o povo na direção que Ele desejava, certamente porque esta era a melhor direção a ser seguida.

4. Esses motivos que levam Deus a agir, são permanentes na relação que existe entre Deus e os seres humanos. Herdamos a desobediência e a empáfia de nosso primeiro pai — Adão. Estamos em permanente rebelião contra Deus. Por sua vez a ira de Deus se manifesta hoje como se manifestou naqueles dias — ver Romanos 1:18; Efésios 5:3—5; Colossenses 3:5—6; e, de forma especial, João 3:36.

5. Todas as manifestações pecaminosas são pálidas e pequenas no começo. Mas com o passar do tempo assumem proporções formidáveis e gigantescas. Uma vez tendo iniciado aquela obra marcada por uma concentração massiva de pessoas, por uma ambição exagerada e pela sede de marcar o nome nos anais da história, não haveria limites para o que aqueles homens pudessem intentar ou mesmo imaginar no futuro.

É, portanto, apenas apropriado que o Senhor decida agir e Sua intenção nos é fornecida no versículo seguinte:

Gênesis 11:7

Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro.

Essas palavras refletem tanto a sabedoria de Deus quanto Sua misericórdia. É Seu propósito intervir naquela situação, mas Ele irá fazê-lo, como sempre, de forma a manifestar sua grandeza tanto em juízo quanto em graça. Esse verso, pode não parecer, mas ele nos ensina o princípio fundamental de que: todas as vezes que os seres humanos se agitarem no pecado serão confrontados por uma ação voluntária da parte de Deus —

Isaías 59:17—18

17 Vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na cabeça; pôs sobre si a vestidura da vingança e se cobriu de zelo, como de um manto.

18 Segundo as obras deles, assim retribuirá; furor aos seus adversários e o devido aos seus inimigos; às terras do mar, dar-lhes-á a paga.

A misericórdia de Deus se manifesta na proposta disciplinar que não é, nem de longe, proporcional às ofensas que estavam sendo feitas. Esse é um fato bíblico: Deus não nos trata de acordo com o que nossos pecados merecem – Salmos 103:8—10. Note como Deus, apesar de dispor dos recursos para tal, não propõe destruir nem varrer da face da terra aquele bando de alucinados. Não é sua intenção acelerar a decida para o abismo daqueles que pretendiam alcançar os céus. O plano é realmente muito simples: “desçamos e confundamos ali a sua linguagem”. Deus poderia destruí-los por completo, mas o castigo fixado é bem mais simples. Isto prova a fragilidade humana. Toda a arrogância humana se dissipa de imediato quando Deus executa seus juízos. A capacidade dos seres humanos de provocar a Deus é enorme, mas a paciência de Deus é maior, felizmente. Punições para valer são deixadas para o estado eterno. A Bíblia reserva duras palavras para descrever o castigo eterno daqueles que desprezam as ofertas de Sua graça misericordiosa — ver Sofonias 2:1—3 e Hebreus 10:31.

A sabedoria de Deus, por sua vez, se manifesta nessa engenhosa confusão de línguas. A ciência humana, que não acredita na narrativa bíblica, admite que não possui nenhuma explicação para a multiplicidade de línguas faladas sobre a terra. Nosso aparelho fonador é uma verdadeira “obra de arte” que esbanja sons de qualidade e sofisticação. A língua única falada por aqueles homens servia como fonte de conforto e ânimo. Deus sabia o exato valor da língua única. Quando o Senhor decide agir daquela maneira, confundindo a língua, Ele o faz porque sabe, de forma precisa, quais serão as consequências: os seres humanos seriam tomados por verdadeiro pavor e ato contínuo iriam desanimar de continuar construindo a malfadada torre e cidade. Deus possui recursos variados e infindáveis para lidar com os seres humanos. Suas ações sempre alcançam Seus propósitos, porque nenhum de Seus planos pode ser frustrado. Quando a Bíblia diz בְלָה belah — confundir, o que está implícito é a introdução de várias formas de expressar um mesmo vocábulo no lugar da forma única existente até então. Dessa maneira o que era uma língua única foi transformada em muitas variedades mediante uma diversificação estrutural, sem existir a necessidade de interferir no material do qual a língua era propriamente formada. Este tipo de manipulação constitui um enorme mistério para os filólogos, para os quais a origem comum das línguas humanas não possui nenhuma explicação plausível. Mas nós sabemos, porque a “Bíblia assim nos diz”...

Gênesis 11:8

Destarte, o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra; e cessaram de edificar a cidade.

A ação de Deus anunciada em Gênesis 11:7 não demora em ser executada e, como temos visto inúmeras vezes, os planos humanos não passam de quimeras quando o Deus Todo-Poderoso se levanta para julgar.

O pecado central dos construtores é orgulho e humanismo pretensioso. Esse é o mesmo pecado básico cometido pelos nossos primeiros pais no Jardim do Éden. Existe um abandono frontal da vontade revelada de Deus bem como de suas palavras proferidas anteriormente. O desejo humano assume o centro do palco e, fazer a própria vontade, torna-se mais importante do que fazer a vontade do Criador. Adão, Eva e os construtores da cidade e da torre pensam de uma mesma maneira. Mas aquilo que aqueles homens mais temiam, aquilo contra o que haviam estabelecido seus exaltados propósitos, os alcança de modo inexorável porque é o SENHOR quem executa o juízo que causa a dispersão. Não sendo capazes de compreender uns aos outros como antes, o projeto de construção em andamento sofre súbita paralisação. Aos poucos eles vão descobrindo outros com quem conseguem se entender e, em pequenos grupos, abandonam o local se dispersando e povoando a superfície da terra conforme era a vontade de Deus desde o princípio da criação.

Autores pagãos atribuem a dispersão dos seres humanos sobre a face da terra tanto a uma intervenção divina quanto à confusão das línguas. Mas enquanto a Bíblia diz que a construção da torre foi paralisada os autores pagão falam que a mesma foi destruída, ora por tempestades, ora por ventos impetuosos. Como sempre a narrativa bíblica é mais serena e discreta e por este motivo mais verossímil.

A Bíblia não nos diz exatamente quando estes fatos aconteceram. É certo que quando a Terra foi “repartida, durante os dias de Pelegue” — ver Gênesis 10:25 — os seres humanos já estavam dispersos, pois somente desta maneira poderíamos explicar o aparecimento dos mesmos em todos os rincões desse nosso planeta. Pelegue viveu um total de 239 anos — ver Gênesis 11:18—19. Como esse é um tempo bastante extenso existe uma grande discussão entre os eruditos se os eventos concernentes à cidade e à torre tiveram lugar no início, em algum ponto do meio da vida ou no fim dos dias de Pelegue.

Pelegue nasceu no centésimo primeiro ano depois do dilúvio — ver Gênesis 11:10, 12, 14 e 16. E muitos eruditos, tanto judeus como cristãos, acreditam que o desenlace descrito em Gênesis 11:8 teria acontecido exatamente no ano do nascimento de Pelegue. A frase que temos em Gênesis 10:25 mencionada acima diz que “a terra foi repartida” nos dias de Pelegue e isso não é uma referência à dispersão das pessoas e sim ao repartimento da porção seca da Terra nos continentes, como temos hoje. Dessa maneira, a dispersão poderia ter acontecido no ano do nascimento de Pelegue e a repartição da Terra em continentes teria acontecido mais adiante, ainda durante os “dias de Pelegue”. Outros acreditam que a intervenção de Deus teria acontecido no quadragésimo ano da vida de Pelegue i.e., 140 anos depois do dilúvio. Mas não existem elementos que justifiquem esta hipótese. Os cronologistas judeus dizem que a dispersão teria acontecido próxima do fim da vida de Pelegue. Como Pelegue viveu 239 anos então os eventos descritos em Gênesis 11:1—9 teriam acontecido 340 anos depois do dilúvio, quando Noé ainda estava vivo — ver Gênesis 9:28 — e Abraão já estava com 38 anos de idade — ver Gênesis 11:18,20, 22, 24 e 26 . Mas essa explicação é insatisfatória para justificar a presença de seres humanos nos quatro cantos do mundo.

Independentemente do exato momento quando esta dispersão aconteceu, o que podemos observar aqui é o fato de que o desejo expresso de orgulho — tornemos célebre o nosso nome — e a vontade férrea de desobedecer ao mandamento expresso de Deus — para que não sejamos espalhados por toda a terra — chamaram a atenção do Todo Poderoso. Da mesma maneira como aconteceu com Caim, essa história registra apenas o esforço inútil dos seres humanos de tentar alcançar segurança mediante a construção de uma cidade. Segurança verdadeira existe somente em Deus. Existem muitas passagens da Bíblia que enfatizam o que estamos dizendo. Entre essas nós podemos citar:

Salmos 4:8

Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro.

Salmos 23:4

Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam.

Salmos 118:6

O SENHOR está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem?

Isaías 12:2

Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o SENHOR Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação.

Hebreus 13:6

Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?

A construção da torre não parece ser o foco de interesse do autor bíblico. No começo da história ele menciona de forma explícita uma cidade e uma torre — ver Gênesis 11:4—5. No fim da história sua ênfase recai sobre a cidade somente — ver Gênesis 11:8. Alguns acham que a falta da menção da torre no verso oito é um sinal de que a mesma já estava terminada. Mas esta não é a opinião desse autor. O fato que a Bíblia menciona somente a cidade aqui é um indício claro de que aquilo que realmente desagradava a Deus não era a tanto a torre e sim a cidade. É a cidade que ofende a Deus por causa da falsa impressão de segurança que ela transmite e porque a estrutura e os confortos que a cidade oferece fazem com que os homens se afastem de Deus. Vejam a quantidade de distrações que uma cidade pode oferecer e será fácil perceber por que as pessoas têm tão pouco interesse em Deus e nas coisas de Deus.

A história da dispersão dos construtores da cidade e da torre de Babel serve como um verdadeiro apêndice da Tábua das Nações — Gênesis 10 — e completa a história dos povos até o presente momento. Conforme iremos perceber, a sequencia da história irá sofrer um grande estreitamento para se concentrar na vida de um único indivíduo. Esse personagem será declarado o pai da “semente da fé”. E será através dos seus descendentes espirituais que o conhecimento do Deus verdadeiro e de Sua verdade serão preservados no meio da total e completa degeneração que será experimentada por todas as nações espalhadas ao redor do mundo. Essas nações irão espiralar na ignorância e no erro como consequências naturais do pecado.

Aqui devemos fazer um destaque: as ciências modernas, que negam o relato bíblico e repudiam a possibilidade da existência de Deus são confrontadas por um dado básico que diz respeito a certos traços da história que aparecem em todas as tradições do todos os povos ao redor do mundo. Esses traços dizem respeito, com maior ou menor intensidade, a estórias referentes ao Deus Único e Verdadeiro, à Criação, à queda bem como ao dilúvio. Se os seres humanos tivessem evoluído de várias espécies distintas de animais inferiores — primatas em geral — como seria possível a existência de tradições unificadoras e, muito exclusivas, diga-se de passagem, entre as mais diversas nações? Tradições como as que acabamos se citar acima só podem ser explicadas pela existência de um ancestral comum, exatamente como a Bíblia nos ensina.
  
Os construtores da cidade e da torre declararam de forma explícita o seguinte: “tornemos célebre o nosso nome” — ver Gênesis 11:4. Não temos dúvidas de que alcançaram esse objetivo. Só que a celebridade tornou-se algo vergonhoso. Famosos sim, mas humilhados pelo Deus Todo Poderoso a quem desafiaram. Da mesma maneira que Gênesis 11:5 nos diz que em vez dos homens alcançarem o céu, foi o próprio Deus quem “desceu”, Gênesis 11:9 reflete uma fina ironia por parte do cronista bíblico quando diz:

Gênesis 11:9

Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a terra e dali o SENHOR os dispersou por toda a superfície dela.
  
A cidade e sua torre, originalmente destinadas à grandeza e fama, foram abandonadas por seus orgulhosos construtores. O autor bíblico mistura uma fina pitada de ironia no final da história quando conecta, de forma sutil, o ato de confundir as línguas usando o verbo בָּלַל balal — confundir — com o nome da localidade que era Babel, que quer dizer “portal de Deus”. O texto não nos revela se o nome Babel foi atribuído àquele complexo pelo próprio Senhor ou pelo escriba. Esse é o motivo porque o sujeito é indefinido na expressão “chamou-se-lhe”.

As línguas que falamos nos dias de hoje constituem-se em um verdadeiro desafio para os linguistas do ponto de vista da necessidade de se explicar a origem das mesmas. As duas principais teorias são:

1. Monogenesis — todas as línguas que falamos hoje descendem de uma única língua original chamada tecnicamente em alemão de “Ursprache”.

2. Poligenesis — é a teoria de que as línguas faladas pelos seres humanos surgiram, de forma independente, entre os diversos grupos primitivos de humanos. 

Como é impossível saber como os primeiros humanos falavam, o melhor elemento que possuímos para desenvolver nossas teorias é a comparação das formas escritas das línguas da Antiguidade, porque as mesmas estão fixadas de forma permanente. Os primeiros registros existentes de escrita aconteceram entre os sumérios, na Mesopotâmia, entre 3500 e 3200 a.C. É a partir deste momento que os pesquisadores podem começar a fazer seus estudos comparativos. Essas pesquisas, em linhas gerais, nos mostram que, como resultado direto de mudanças linguísticas ocorridas sobre longos períodos de tempo, surgem vários grupos distintos de línguas, mas que estão historicamente relacionados. Ou seja, esses grupos, mesmo diversos, são interdependentes e através de pequenas variações nos dialetos fazem surgir as línguas distintas que temos hoje. Muitos linguistas costumam falar de um seleto grupo de línguas que costumam chamar de proto-línguas. Entre essas nós podemos citar o Proto-Germânico e o Indo-Europeu. Dessas proto-línguas surgem sub-famílias de línguas. Mas os estudiosos concordam que nenhuma das proto-línguas é a língua mais antiga da humanidade. E por este motivo existe muita discussão com defensores apaixonados dos dois lados da teoria da origem das línguas – monogenesis e poligenesis.

Por fim, nosso texto é bastante lacônico em nos explicar exatamente qual foi o efeito que a ação de Deus de confundir as línguas teve sobre a psique ou mente daqueles construtores. Pelo fato deles terem abandonado a construção da cidade nós podemos deduzir, pelo menos, que os mesmos, de alguma maneira, reconheciam que estavam sofrendo oposição de alguém que era bem maior do que eles. E esse sentimento normalmente nos abate e nos desanima. Que aqueles acontecimentos nos sirvam de lição. Deus é sempre capaz de detonar todos e quaisquer planos humanos que não lhe agradem — ver Provérbios 21:30 e Isaías 8:9—13. 

Outros artigos acerca dO LIVRO DE GÊNESIS
001 — Introdução e Esboço
002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação
003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza
004 — Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra
005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida
006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR
007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA
008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1
009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2
010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia
011 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto Dia
012 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia
013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1
013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2
014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas
015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A
016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B
017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B
019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C
020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19
021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20
022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21
023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22
024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23
025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24
026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25
027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26
028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A
029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B
030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.
031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.
032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.
033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.
034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?
035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água
036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001
037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002
038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001
039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002
040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003
041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ
042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?
044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE
045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Tendência para atribuir, ou a forma de pensamento que atribui formas ou características humanas a Deus, deuses, ou quaisquer outros entes naturais ou sobrenaturais. 

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