domingo, 25 de setembro de 2016

SUICÍDIO É MESMO UMA SAÍDA?



No mês dedicado à conscientização acerca do suicídio queremos disponibilizar para nossos leitores a análise do professor Wilson Roberto Vieira Ferreira sobre o filme Bridgend. Esse filme relata o suicídio de 79 jovens numa região do País de Gales. A leitura é recomendada para leitores maduros e que desejam entender um pouco melhor como funcionam alguns dos mecanismos que podem levar uma pessoa a tirar a própria vida. A tristeza, a angústia, a dor, a falta de perspectivas são questões palpáveis.

Quando a morte é o único sentido para a vida em "Bridgend"


A cidade de Bridgend (no fundo de vales no sul do País de Gales) no passado sustentou o império britânico com o seu carvão, para depois ser esquecida pela História e pelo mundo. Até que, desde 2007, uma inexplicável onda de suicídios de jovens por enforcamento (79 mortes até hoje) tomou conta da região. Para a mídia, tornou-se a “cidade da morte” e seus jovens estigmatizados. O filme Bridgend (2015) do dinamarquês Jeppe RØnde baseia-se nesse caso misterioso: uma adolescente retorna para Bridgend junto com seu pai, um policial que investiga a causa da onda de suicídios. Um culto suicida na Internet? Efeito copycat motivado pelo sensacionalismo como a mídia trata o assunto? Efeito no sistema nervoso central das ondas UHF do sistema de rádio de emergência da polícia do Reino Unido? Ou um acerto de contas dos jovens contra a civilização? - quando a existência fica vazia, a morte pode se tornar o único sentido para a vida. Filme sugerido pelo nosso leitor Felipe Resende.

“Suicídios estão se espelhando como um contagio”, disse Darren Matthews diretor da Fundação Samaritanos de uma cidadezinha ignorada pelo resto do mundo, até que uma série de suicídios em série começou a atingir jovens de 15 a 27 anos a partir de 2007. Bridgend situa-se no fundo de três vales, localizado ao sul do País de Gales, no Reino Unido.

Em Bridgend ocorreram até agora 25 suicídios. Somados com as outras cidades pertencentes ao mesmo condado, chega-se ao número de 79 jovens. Com exceção de apenas uma morte, todas foram por enforcamento. E inclusive mulheres, o que segundo especialistas é um elemento estranho: dificilmente mulheres escolhem o enforcamento como método de suicídio. Em geral preferem cortar os pulsos ou a morte por overdose por drogas ou medicamentos. O enforcamento é uma morte tipicamente masculina.

Em 2013 John Williams dirigiu o documentário Bridgend tentando expor as possíveis causas desse aparente contagio de suicídios: um culto suicida através da Internet – as mortes sugerem uma decisão coletiva; Efeito Copycat ou Síndrome Werther – efeitos de imitação motivado pelo sensacionalismo midiático; crise econômica e desemprego em uma região outrora rica devido à mineração do carvão;  influência de ondas UHF no cérebro e sistema nervoso central, principalmente através do sistema Tetra usado pelo sistema de rádio de emergência da polícia do Reino Unido.

Ou ainda a mais conspiratória das teorias: o sistema Tetra seria um subproduto do Projeto Pandora, conjunto de pesquisas sobre controle do comportamento humano à distância feitos pela CIA nos anos 1960-70.


O documentarista dinamarquês Jeppe RØnde também se interessou pelos bizarros acontecimentos de Bridgend. Porém, fazer mais um documentário estava fora de cogitação: já havia todo um sensacionalismo dos tabloides em torno da cidade – já rotulada no Reino Unido como “cidade da morte”. Para RØnde isso é perigoso por criar um efeito de imitação ao criar uma aura romântica em torno dos enforcamentos. Adolescentes são mais propensos a ser influenciados por memoriais na Internet e as coberturas de notícias da TV.

Por isso RØnde optou em fazer um filme de ficção entre o drama e o terror. E mais: juntos com atores, RØnde juntou ao elenco jovens moradores não-atores de Bridgend, tornando a narrativa minimalista e realista.

Parece contraditório: uma obra de ficção que fugiu do documentário, mas que busca o realismo dentro da ficção. Mas o diretor buscou no drama local de Bridgend um tema mais universal – a civilização que foi ultrapassada pela Natureza. Um lado sombrio do psiquismo humano no qual a morte seria a única forma de dar sentido a uma vida sem sentido. Renunciar a civilização e tentar retornar à Natureza como último refúgio de uma existência sem propósito.

O Filme

Uma adolescente chamada Sara (Hannah Murray) volta para Bridgend com o seu pai Dave (Steven Waddington), um policial viúvo, depois de passar anos em Bristol. Dave quer resolver o mistério dos suicídios em série, enquanto Sara vai aos poucos sendo absorvida pelo grupo local de adolescentes agressivos e transgressores – consumo excessivo de álcool em uma vida desocupada dividido entre mergulhos em um lago gelado no meio da floresta e noitadas em um clube de rugbi.

A posição de Sara (filha de um policial) a mantém ainda distante e apenas observadora de tudo. Ninguém no grupo fala sobre os motivos dos suicídios. Os mortos são apenas celebrados pelos jovens em estranhos rituais como gritar os seus nomes para a Lua, visitar os lugares onde foram encontrados enforcados e arriscar a vida se pendurando em cordas na saída de um túnel em uma linha de trem no momento em que a locomotiva passa em alta velocidade.


Aos poucos Sara se envolve com um jovem chamado Jamie (Josh O’Connor), coroinha e filho de um sacerdote anglicano que, sem qualquer efeito, tenta de alguma forma incutir ensinamentos religiosos ao grupo de jovens agressivamente niilistas.

O envolvimento amoroso faz Sara definitivamente entrar naquele grupo de jovens, intensificando os conflitos com seu pai que tenta a todo custo tirá-la da cidade e matricula-la em um colégio interno fora do condado.

Sara aos poucos adquire o mesmo traço comum existente nos outros adolescentes: a relação de estranhamento e conflito com os adultos – os professores, a polícia, a comunidade e, talvez, com a própria civilização.

A certa altura Dave arrasta Jamie para dentro do seu carro para intimá-lo a se afastar da sua filha. A pergunta de Jamie é emblemática e, talvez, sintetize a tensão que está por trás das tragédias em série em Bridgend: “Você está falando comigo como pai ou como policial?”.

Celebração da morte e torres de celulares

O leitor perceberá ao longo do filme que Jeppe RØnde, como um bom documentarista, vai transitando pelas várias teorias que tentam explicar o estranho fenômeno.

De início, percebemos que há um bizarro ritual de celebração dos suicídios entre os jovens. Há um memorial em um site na Internet onde os iniciados recebem um senha para depositar suas homenagens a cada suicídio – graficamente no site, cada morte é como fosse um tijolo com o nome do suicida colocado em um muro em construção. Há um juramento de que ninguém poderá deixar a cidade.

Em uma linha de diálogo, os policiais falam na teoria das “torres de celulares” – referencia às teorias das ondas UHF interferirem no comportamento humano. Pelas teorias conspiratórias sobre o Projeto Pandora, as ondas usadas pelas transmissões de rádio da policia “zumbificaria” os próprios policiais, tornando-os autômatos e obedientes.


No filme, é também mostrada a animosidade dos moradores contra fotógrafos e jornalistas – a certa altura, um jovem arranca uma máquina fotográfica de um repórter que cobria o velório de mais um suicida, para despedaçá-la no asfalto.

Para os moradores de Bridgend, a mídia é uma parte importante do problema. É o que os estudiosos chamam de Efeito Copycat ou Síndrome de Wether – “Wether” é um jovem protagonista do romance de Goethe Os Sofrimentos do Jovem Wether de 1774. Há mais de 200 anos, esse livro foi proibido em alguns países europeus por supostamente ter causado uma onda de suicídios entre jovens leitores. Muitos foram encontrados mortos vestindo a mesma roupa do personagem e ao lado do corpo com a página do livro que descreve o suicídio aberta.

Para Lauren Coleman, autor do conceito “Efeito Copycat”, já está documentado estatisticamente que coberturas midiáticas sensacionalistas e extensas sobre atentados ou suicídios, estimulam novos eventos trágicos. São mortes imitativas por contagio midiático – principalmente entre adolescentes que naturalmente passam por oscilações rápidas de humor. Podem impulsivamente se matar nesse breve período – veja mais sobre esse efeito por meio desse link aqui:


Acerto de contas com a civilização

 É recorrente em Bridgend o simbolismo do cachorro que vaga pela floresta e trilhos de ferrovias que não dão a lugar algum, abandonadas e tomadas pela vegetação. Esse simbolismo explorado por RØnde tem como pano de fundo a história de decadência sócio-econômica do condado de Bridgend.


A região foi mais uma vítima das medidas do neo-liberalismo econômico de Margareth Thatcher nos anos 1980 que trouxe a recessão econômica para a região com o fechamento das minas de carvão. Muitos trabalhadores morriam de câncer nas minas, mas pelo menos tinham um trabalho o algo do qual fazer parte. Além de manter a alta renda da região e um futuro profissional para os mais jovens.

Hoje, o que domina os vales do condado é o desemprego, subempregos nos setor de serviços e jovens vivendo de biscates.

Quando a civilização falha, a natureza começa a tomar conta. É o que parece dizer a todo momento Jeppe RØnde: a imagem recorrente de um cão que vaga pelos lugares onde jovens se mataram enforcados em árvores; os jovens que vagam sem destino por linhas de trens abandonadas tomadas pelo matagal. Linhas de trens de épocas com trabalho e perspectivas.

O pensador da chamada Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, acreditava que a história da civilização transcorria em movimento pendular entre Eros e Thanatos, vida e morte, prazer e dor.  Marcuse sustentava que o sistema econômico atual fundamentado no consumismo e na precarização do trabalho (mascarando a exploração) era thanático: estimulava o niilismo e o hedonismo sob a aparência publicitária das imagens de sucesso de celebridades e a aparência de liberdade de escolha e consumo – leia MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização, LTC, 1999.

Em uma vida sem sentido e existencialmente vazia, o lado mais sombrio do nosso psiquismo ganha força: o acerto de contas final com a civilização, retornando à Natureza por meio da morte.

Paradoxalmente, quando a existência se esvazia, a morte torna-se o único sentido para a vida. Essa é o diagnóstico de Jeppe RØnde para o mistério do condado de Bridgend.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:

http://cinegnose.blogspot.com.br/2016/09/quando-morte-e-o-unico-sentido-para.html

O trailer do filme em inglês poderá ser visto por meio desse link aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=PdZzt3OzRG0

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis 

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sábado, 24 de setembro de 2016

CÓPIA ANTIGA DO LIVRO DO LEVÍTICO ENCONTRADA E RECUPERADA EM ISRAEL


O pergaminho carbonizado de En-Gedi
O pergaminho carbonizado de En-Gedi

 O artigo abaixo foi publicado pelo jornal Folha de São Paulo com notícias da AFP.

Pergaminho revela um dos primeiros textos do Antigo Testamento
Gali Tibbon  
DA AFP

Um frágil pergaminho hebraico, que acaba de ser aberto e digitalizado, revelou a cópia mais antiga de uma escritura bíblica do Antigo Testamento já encontrada.

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Conhecido como o pergaminho En-Gedi, o rolo contém um texto do Levítico e data pelo menos dos séculos III ou IV, e possivelmente antes, segundo um artigo da revista "Science Advances", publicado nesta quarta (2109/2016).

Trata-se do pergaminho mais antigo já encontrado do Pentateuco, a coleção dos cinco primeiros livros da Bíblia. A publicação afirmou que decifrar seu conteúdo foi "uma importante descoberta da arqueologia bíblica".

O pergaminho em si não é o mais antigo já encontrado. Tal honra pertence ao bíblico Manuscritos do Mar Morto, que data de entre o século 3 antes de Cristo e o século 2 da nossa era.

A datação por radiocarbono mostrou que o pergaminho En-Gedi data do século 3 ou 4 depois de Cristo, embora alguns especialistas acreditem que possa ser mais antigo.

As análises sobre o estilo da caligrafia e os traços das letras sugerem que poderia ser da segunda metade do século 1 ou de princípios do século 2 depois de Cristo. Por muito tempo se pensou que seu conteúdo havia sido perdido para sempre porque o rolo foi queimado no século 6 e era impossível tocá-lo sem que se desfizesse em cinzas.

O pergaminho foi encontrado em 1970 por arqueólogos em En-Gedi, lugar de uma antiga comunidade judia do fim do século 8. Seus fragmentos foram preservados por décadas pela Autoridade de Antiguidades de Israel.

"A estrutura principal de cada fragmento, completamente queimada e esmagada, tinha se transformado em pedaços de carvão que continuavam se desintegrando cada vez eram tocados", disse o estudo.

Os pesquisadores utilizaram como ferramenta um avançado scanner digital para "desenrolá-lo virtualmente" e ver seu conteúdo. "Ficamos impressionados com a qualidade das imagens", disse Michael Segal, diretor da Escola de Filosofia e Religião da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Os cientistas também ficaram impactados com "o fato de que nessas passagens o pergaminho En-Gedi Levítico é idêntico em todos os seus detalhes, tanto as letras como a divisão em seções, ao que chamamos de texto massorético, o texto judaico vigente até hoje", disse Segal.

Os pesquisadores esperam que as técnicas utilizadas para lê-lo sirvam também para outros pergaminhos danificados, incluindo alguns da coleção do Livro do Mar Morto, que continua sendo indecifrável.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

EFÉSIOS 4:7—10 - SERMÃO 026 – A UNIDADE DA IGREJA EM MEIO À DIVERSIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS


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Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.

EXPOSIÇÃO DA EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS

Introdução.

A. O capítulo 4 de Efésios é riquíssimo no que diz respeito aos aspectos da unidade Cristã.

B. Em primeiro lugar somos ensinados que a unidade entre os cristãos é fruto da ação do Espírito Santo. Nós não precisamos fazer nada para “criar a unidade”.

C. Por outro lado nós vimos que devemos nos esforçar para preservar a unidade que o Espírito Santo nos concede – Efésios 4:3.

D. Parte deste esforço está em manter certas atitudes básicas que todos precisamos cultivar:

1. Humildade. 

2. Mansidão.

3. Longanimidade.

4. Suportando uns aos outros.

E. E tudo isto, nos diz o Apóstolo Paulo, deve ser embalado pelo AMOR — ver 1 Coríntios 13:1—8.

F. Além disso, nós vimos que a igreja é uma porque Deus mesmo é um. Como diz o apóstolo Paulo: há um Espírito Santo, há um só Senhor Jesus e somente um Deus e Pai. Isto faz com que exista somente uma Igreja e esta não pode ser identificada com nenhuma das denominações existentes.

G. Mas dentro desta unidade existe uma enorme diversidade e este é o nosso tema de hoje:

A UNIDADE DA IGREJA EM MEIO À DIVERSIDADE DOS DONS

Mas vejamos o que o texto que estamos estudando agora nos ensina.

I. Cristo Desceu até as Regiões Inferiores da Terra — Efésios 4:9.

A. Esta expressão “desceu até as regiões inferiores da Terra” tem ensejado inúmeras especulações acerca do seu significado.

B. O chamado “Credo Apostólico”, que não está na Bíblia, mas é produto da invenção humana, agregou a partir do ano 650 A.D. a expressão que diz que Cristo “desceu ao inferno”. Em função disso, inúmeras doutrinas têm sido desenvolvidas visando “esclarecer” esta suposta descida de Jesus até ao inferno.

1. Para algumas pessoas Jesus teria decido ao inferno para pregar o evangelho àqueles que lá se encontravam. Mas a Bíblia é bastante clara com respeito ao fato de que não existe nenhuma possibilidade de Salvação depois da morte – ver Lucas 16:19—31 e Hebreus 9:26—28.

2. Para outros, Jesus teria descido ao inferno não para pregar as Boas Novas e sim para proclamar Sua vitória alcançada na Cruz.

3. Outros ainda há, que acreditam que Jesus teria descido ao inferno para pregar para os espíritos e anjos caídos.

4. Em tempos mais recentes um grupo de verdadeiros malucos — Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn e outros têm postulado que Jesus não somente desceu ao inferno, mas que uma vez lá teria sido possuído tão completamente por Satanás, que teria adquirido a própria natureza satânica. Para livrar-se desta natureza satânica Jesus teria nascido uma segunda vez, no inferno. Muitas igrejas pentecostais, algumas de projeção nacional, ensinam e promovem este tipo de literatura e de ensinamentos, até mesmo pela televisão. 

C. Mas o que a Bíblia diz acerca destas coisas?

1. Em primeiro lugar Jesus foi bastante claro ao dizer para o ladrão que havia sido crucificado com Ele e que havia demonstrado arrependimento, as seguintes palavras:

Lucas 23:43

Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

2. Em segundo lugar a Bíblia no diz que ao expirar Jesus disse as seguintes palavras:

Lucas 23:46

Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.

3. Assim, como podemos ver, os dois versos acima deixam bem claro que, enquanto o corpo do Senhor era colocado no sepulcro, seu espírito, na companhia de um daqueles homens crucificado ao Seu lado, estava no Paraíso, na presença do Pai.

D. Então qual é o significado da expressão de que Cristo havia “descido até as regiões inferiores da terra”?

1. Não devemos querer inventar demais. Vejamos o que o texto grego nos diz literalmente:

Κατέβη ketébi — descer, vir para baixo, abaixar. Traduzido por “descido” em oposição ao lugar de origem que ficava mais alto — o céu.

εἰς τὰ κατώτερα eis ta katótera — local mais baixo que outro, como a Terra está abaixo dos céus. Daí a tradução “regiões inferiores”.

τῆς γῆς tis gis da terra. Como podemos notar o que está na mente de Paulo tem a ver com uma comparação entre o céu - o  lugar mais alto – e a terra – o lugar mais baixo.

E. Mas se existir ainda alguém que queira insistir no fato de que Paulo está fazendo uma referência que deve ser entendida da forma mais literal possível, ainda assim podemos dizer que ele estava se referindo à região do deserto ao redor do Mar Morto, que é a parte mais inferior de terra à céu aberto, pois fica a 400 metros abaixo do nível do mar!

II. Depois de “Descer” Cristo “Subiu” Novamente — Efésios 4:10.

A. Temos nesse verso, outra vez, a analogia de lugar mais alto e mais baixo. Ou da humilhação de Cristo em oposição à sua exaltação — ver Filipenses 2:5—8 e Efésios 1:19—23.

B. Depois de ter baixado dos céus para a terra, Jesus foi novamente elevado às alturas do céu.

C. Este retorno de Jesus ao céu marcou o inicio de um processo que está gradativamente expandindo os benefícios alcançados por Jesus a todos os cantos do universo — ver Efésios 1:23. Isto inclui também a totalidade dos nossos seres — ver Efésios 3:19.

III. Do Céu Jesus Continua a Abençoar Sua Igreja com Muitos Dons – Efésios 4:7–8.

A. Quando Jesus subiu ao céu, Ele levou juntamente consigo, como nosso representante, a cada um que iria crer nele. Neste exato momento nós estamos assentados à destra de Deus nos lugares celestiais — ver Efésios 2:6.

B. Jesus levou também “cativo o cativeiro”. Ou seja, aqueles que estavam acostumados a escravizar e a dominar os seres humanos foram reduzidos a menos do que nada, e foram levados como cativos — ver Colossenses 2:13—15.

C. Da presença de Deus, onde está assentado à destra da majestade nas alturas — ver Hebreus 1:3 — Jesus:

1. Derramou o Espírito Santo sobre Seu povo —

Atos 2:32—33

32 A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.

33 Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.

2. O Espírito Santo veio e:

a. Nos batizou para dentro do Corpo de Cristo, que é a Igreja — 1 Coríntios 12:12.

b. Com este ato, o Espírito Santo:

i. No uniu de forma absoluta ao Senhor Jesus Cristo.

ii. Nos uniu de forma completa e absoluta uns aos outros.

D. Mas através do Espírito Santo, Jesus fez mais ainda: Ele concedeu dons aos seres humanos. Existem, no Novo Testamento, algumas listas que nos indicam a grande variedade dos dons concedidos pelo Espírito Santo. Estas listas não pretendem ser exaustivas e sim, apenas, indicativas. Entre elas nós temos:

1. Romanos 12:3—8 — note a ênfase no Pai.

2. 1 Coríntios 12:1, 4—11 — note a ênfase no Espírito Santo.

3. Efésios 4:11 — note a ênfase em Jesus.

E. Como dissemos as listas não pretendem ser exaustivas. De fato, a Bíblia nos ensina que todos os crentes receberam, pelo menos, um dom da graça de Deus através da ação do Espírito Santo:

1 Pedro 4:10

Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

F. Desta maneira, cada um de nós tem recebido da graça de Deus, através da ação do Espírito Santo em nossas vidas, pelo menos um dom, que devemos estar utilizando para a edificação e fortalecimento dos irmãos no corpo de Cristo.

Conclusão:

A. Todos temos recebido pelo menos um dom da graça de Deus para ser usado no serviço uns dos outros.

1. Você saberia dizer qual é o dom que você recebeu do Senhor?

2. E se você sabe qual é o dom que recebeu do Senhor, você está empenhado em usar este dom para o benefício de todo o corpo.

B. Quando não usamos o dom que o Senhor nos concedeu não somente nós sofremos — lembre-se do que aconteceu com aquele servo que tendo recebido um talento achou melhor enterrá-lo do que investi-lo — mas sofre toda a igreja, pois precisamos um dos outros se queremos ser aquilo que Deus deseja que sejamos.

C. Quando valorizamos as pessoas com os dons mais visíveis e menosprezamos aqueles com os dons menos visíveis, nós estamos invertendo a ordem estabelecida por Deus e sofremos terríveis consequências que acabam por desfigurar a Igreja, o Corpo do qual o Senhor Jesus é o cabeça —

1 Coríntios 12:24—25

24 Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha,

25 para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros.

Alguém tem alguma dúvida porque as igreja chamadas cristãs se parecem mais com verdadeiros “monstros” do que com o Corpo Vivo de Cristo?

D. Nós precisamos rever nossos conceitos urgentemente:

E. Temos um Senhor amoroso que em Sua graça tem derramado inúmeros dons no meio do seu povo.

F. Temos que ajudar uns aos outros a descobrir os dons que Jesus nos deu e incentivar uns aos outros a colocar em prática o que o Senhor no outorgou pela Sua Graça.

G. Quando agirmos assim, valorizando cada indivíduo e incentivando cada indivíduo a exercitar seu dom, então a Igreja perderá esta forma monstruosa que possui e se tornará, de forma efetiva e eficiente, no Corpo Vivo do qual Jesus é o Cabeça.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 —  A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS

EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

EFÉSIOS 4:4—6 — SERMÃO 025 — A IGREJA É UNA PORQUE DEUS É UM

EFÉSIOS 4:7—10 — SERMÃO 026 — UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE



Que Deus Abençoe a Todos

Alexandros Meimaridis

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