terça-feira, 21 de novembro de 2017

Gênesis — Estudo 055 — A APROPRIAÇÃO DE GÊNESIS 11 PELO NOVO TESTAMENTO


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Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
             Eretz   ha ve-et    Hashamaim  et       Elohim        Bará         Bereshit
            Terra  a      e          céus      os             Deus         criou       princípio No
                                                                                                                            Gênesis 1:1
CONTINUAÇÃO

XIII — A Apropriação de Gênesis 11 pelo Novo Testamento.

A. Gênesis 11:1—9 e Lucas 14:28—30.

Existem no Novo Testamento muitos textos que tratam de edificações e dos processos envolvidos nos mais diversos tipos de construções. Mas existe somente um texto em todo o Novo Testamento que trata da construção de uma πύργον púrgon — torre. Esse texto é Lucas 14:28. Creio que todos nós podemos aceitar, de forma pacífica, que um dos propósitos porque Jesus ensinou esta parábola foi indicar a necessidade que aqueles que desejavam ser Seus discípulos, tinham de avaliar o custo exato de tal decisão. Mas existem muitas outras passagens em todo Novo Testamento que desafiam tal interpretação. Essas são as passagens que nos falam acerca de decisões de fé como foi o caso do chamamento dos irmãos Simão e André e Tiago e João — ver Marcos 1:16—20. Note como esses irmãos não pararam para calcular o custo e sim creram nas palavras de Jesus e o seguiram imediatamente.

A história narrada por Jesus em Lucas 14:29—30 dá ênfase no fato de que a torre inacabada chama a atenção de toda uma multidão de curiosos que, ao passar e ver a torre naquele estado, aproveitam para zombar da mesma e de seus construtores. Em Gênesis 11 a construção da torre tem início com a clara intenção de zombar de Deus, pois seus construtores querem fazer notável o próprio nome. Mas os papeis são completamente revertidos naquela história. É Deus, quem em última instância, dá a última risada porque é Ele quem zomba dos patéticos seres humanos ao confundir as línguas e causar a paralisação da construção da torre e da cidade chamadas de Babel.

Mas em Gênesis 11 Deus não apenas confunde as línguas, Ele também dispersa os seres humanos que estavam planejando zombar da ordem de Deus que havia dito aos homens que se espalharem sobre a face da Terra. É possível que Maria no seu cântico registrado em Lucas 1:46—55 estivesse se referindo a este mesmo evento — da torre e da cidade de Babel — ao dizer: “Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos — verso 51”. Como dissemos é possível, mas muito pouco provável. Mas que a frase se encaixa perfeitamente, disso não temos a menor dúvida.
   
2. Gênesis 11:26—32 e Atos 7:4.
                    
A cronologia de Gênesis 11 é como segue:

1. Tera tinha 70 anos quando começou a gerar filhos e ele gerou a Abrão, a Naor e a Harã. Seria Abrão, necessariamente, o mais velho? Ou ele é mencionado em primeiro lugar porque era o mais importante — ver Gênesis 6:10 e comparar com 9:20—24.

2. Tera morre em Harã com a idade de 205 anos — ver Gênesis 11:32.

3. Se Abrão nasceu quando Tera tinha 70 anos então ele tinha 135 quando seu pai veio a falecer.

4. Gênesis 12:4 nos diz que Abrão partiu de Harã quando tinha 75 anos.

Se não levarmos em conta nenhum outro texto, a cronologia acima não apresentaria nenhum tipo de dificuldade. Do que alistamos acima poderíamos concluir que Abrão teria saído de Harã 65 anos antes da morte de seu pai. Todavia, o texto de Atos 7:4 diz de forma explícita o seguinte:

Então, saiu da terra dos caldeus e foi habitar em Harã. E dali, com a morte de seu pai, Deus o trouxe para esta terra em que vós agora habitais.

Existem várias hipóteses visando solucionar essa dificuldade. Não que ela represente alguma mudança fundamental na História da Salvação como contada pela Bíblia, mas como estudiosos da Palavra de Deus, queremos nos empenhar no máximo da nossa capacidade para entender aquilo que está escrito.

As três interpretações mais comuns acerca da compreensão que Estevão tinha da vida dos patriarcas são as seguintes:
1. A primeira explicação está baseada na leitura do Pentateuco Samaritano que diz que Tera faleceu com 145 anos contra os 205 registrados pelo Texto Massorético[1]. A LXX diz que Tera teria vivido 205 anos apenas em Harã, sem contar seus anos em Ur dos Caldeus. Argumentam os defensores desta hipótese que Estevão estava fazendo referência ao texto do Pentateuco Samaritano. Com isso a dificuldade desaparece de forma absoluta. Isto se deve ao seguinte cálculo: Tera gerou Abrão quando tinha 70 anos e veio a falecer quando tinha 145 anos. Na morte de Tera Abrão estaria, portanto, com 75 anos que é exatamente a idade que ele tinha quando partiu de Harã para a terra de Canaã. Desta maneira, nos dizem os defensores dessa possibilidade, Estevão tinha uma compreensão da cronologia dos patriarcas que estava baseada na leitura do Pentateuco Samaritano.

2. Uma segunda possibilidade é na realidade uma variação da anterior. De acordo com os proponentes dessa segunda alternativa existiam nos dias de Estevão inúmeras famílias ou tradições de manuscritos. Para esses o Pentateuco Samaritano é apenas um dos muitos documentos que se originaram daquilo que os estudiosos chamam de Texto Palestino e que, além de serem muito abundantes nos dias de Estevão divergiam de forma considerável do Texto Massorético e do texto da Septuaginta. O autor judeu Filo de Alexandria[2] também cita o fato de que Tera teria morrido aos 145 anos. Sendo judeu mesmo e não samaritano, é pouco provável, senão impossível que ele tivesse usado alguma vez uma cópia da Torá — os cinco livros de Moisés — que não estivesse baseada em uma tradição genuinamente judaica. Desta maneira é possível que existissem também cópias judaicas que mencionavam todos os anos de Tera como sendo 145 anos.

3. Uma terceira possibilidade procura harmonizar as informações de Gênesis 11 e Atos 7 sem apelar para o uso de nenhum outro texto que vá além do Texto Massorético. A pressuposição básica desta possibilidade está baseada no fato de que o texto de Gênesis 11:26 não afirma, de forma explícita, que Tera tinha exatos 70 anos quando gerou a Abrão. Pelo contrário, o texto de Gênesis 11 nos diz que Tera tinha 70 anos quando começou a gerar filhos. Teria sido Abrão seu primogênito? Ou será que Abrão é mencionado primeiro porque veio a ser o mais importante dos três irmãos? Como não podemos saber a ordem exata em que os irmãos nasceram, nem quando exatamente eles nasceram, podemos assumir, para efeito da nossa discussão, que Abrão tivesse nascido quando Tera estava com 130 anos. Desta maneira quando Terá morreu aos 205 anos, Abrão teria os 75 anos mencionados em Gênesis 12:4. 

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005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida
006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR
007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA
008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1
009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2
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016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B
017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B
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021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20
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023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22
024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23
025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24
026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25
027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26
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029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B
030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.
031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.
032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.
033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.
034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?
035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água
036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001
037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002
038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001
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043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?
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046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
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050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005

054 — Estudo de Gênesis — A GENEALOGIA DOS SEMITAS

055 — Estudos de Gênesis — A APROPRIAÇÃO DE GÊNESIS 11 PELO NOVO TESTAMENTO

Que Deus abençoe a todos.


Alexandros Meimaridis


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Gênesis, Genealogia, Semitas, Texto Massorético, Pentateuco Samaritano, Septuaginta, Samaritanos, Cativeiro Babilônico, Pelegue, Dilúvio, Alterações Climáticas, Ur dos Caldeus, Noé, Lua, Noé,  


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[1] - Para uma discussão acerca do desenvolvimento do texto do Antigo Testamento o autor sugere a leitura do primeiro capítulo desta série intitulado “O Que é o Antigo Testamento?”.

[2] - Filo Judaeus também chamado de Filo de Alexandria nasceu entre 15—10 a.C na cidade de Alexandria no Egito, onde também faleceu entre 40—50 a.D. Esse indivíduo era um filósofo judeu que falava o grego e que veio tornar-se o maior expoente do Judaísmo Helenístico. Em seus escritos nós podemos encontrar a mais cristalina apresentação de como o judaísmo se desenvolveu na diáspora iniciada com o cativeiro babilônico. Ele foi o primeiro judeu a buscar uma síntese entre a fé baseada na revelação divina com a razão baseada no raciocínio filosófico — é possível que Platão foi o primeiro gentio a tentar o mesmo, mas de forma menos evidente. Por sua coragem e visão Filo ocupa um lugar bastante privilegiado na História da Filosofia. Muitos cristãos, de eras posteriores, chegaram a considerá-lo como o precursor da Teologia Cristã.

sábado, 18 de novembro de 2017

Gênesis — Estudo 054 — A GENEALOGIA DOS SEMITAS


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Descendentes de Sem na cor branca e nos países que têm nomes.

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

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                                                                                                                                      Gênesis 1:1

CONTINUAÇÃO

XII — Gênesis 11 — “Deram com uma Planície na Terra de Sinear”.

H. A Genealogia dos Semitas — Gênesis 11:10—32.

Gênesis 11:5

H. A Genealogia dos Semitas — Gênesis 11:10—32.

As informações acerca dos descendentes de Sem variam consideravelmente, dependendo da fonte utilizada. Os escritos disponíveis são: o Texto Massorético, a Septuaginta, o Pentateuco Samaritano e os escritos de Flávio Josefo. Desses escritos nós podemos colher informações que dizem que o tempo entre Sem e Abraão foi de:

1. O Texto Massorético diz que foi de 390 anos.

2. O Pentateuco Samaritano fala em 1040 anos.

3. A Septuaginta menciona 1260 anos.

Essas disparidades podem ser explicadas apenas se levarmos em conta que as letras do alfabeto hebraico serviam também como numerais e que os valores individuais das letras bem como suas combinações podiam variar de acordo com o meio cultural em que foram produzidas. E os três documentos acima foram produzidos em três culturas diferentes, a saber:

1. O Texto Massorético foi produzido entre os judeus que habitavam o reino do Sul — Judá — onde ficava a cidade de Jerusalém, por um povo que se considerava incontaminado.

2. O Pentateuco Samaritano foi produzido na cidade de Samaria localizada no reino do Norte — Israel por um povo — samaritanos – considerado impuro pelos judeus.

3. A Septuaginta foi produzida pelos judeus que estavam na dispersão. Esses eram judeus de Judá que não quiseram retornar para Jerusalém e circunvizinhanças após o cativeiro babilônico e que foram gradativamente se estabelecendo por toda a bacia do Mediterrâneo. Foram os judeus estabelecidos em Alexandria, no Egito, que produziram a Septuaginta.

O hebraico era uma língua consonantal — tinha apenas consoantes — composta de 24 letras. As primeira 20 letras representavam os numerais de 1 ao 20. As últimas quatro letras representavam as centenas que vão de 100 a 400. A partir daí os números eram representados por combinações de letras, combinações estas que variavam de acordo com quem estava fazendo os cálculos. É realmente muito difícil, senão impossível, fazer uma consolidação dessas cronologias para chegar a uma definição precisa do tempo. O Senhor não quis nos revelar maiores detalhes acerca destes fatos, então podemos nos dar por satisfeitos com o que temos diante de nós.

Prosseguindo com a história, depois de descrever como surgiram as diversas nações que se originaram dos três filhos de Noé — Sem, Jafé e Cam — e de como essas nações se espalharam por sobre a face da terra falando línguas distintas, nossa narrativa vai se concentrar, daqui em diante, a acompanhar os descendentes de Sem até chegarmos a Tera que foi o pai de Abrão.

Os cinco primeiro descendentes de Sem mencionados em Gênesis 11:10—32 já foram objeto do nosso estudo quando estudamos Gênesis 10:21—31. Naquela ocasião a intenção do autor do Gênesis era estabelecer a relação de Sem com Héber e deste com Pelegue. Nos versículos que estamos estudando nesta divisão nós podemos ver que a intenção do autor é traçar a genealogia de Sem via Pelegue até fazê-la chegar a Tera. Pelegue é o fio da meada abandonada em Gênesis 10:25 e que agora será retomada a partir de Gênesis 11:18 e nos conduzirá até Tera, o pai de Abrão.

A genealogia que temos diante de nós em Gênesis 11:10—32 é a continuação natural daquela que foi interrompida em Gênesis 5:32. Existe uma pequena, porém notável distinção entre as formas com que estas duas genealogias são apresentadas e o autor prefere deixar que o próprio leitor, fazendo uma comparação entre as duas, descubra qual é esta diferença.   

Além da diferença mencionada acima, também é notável uma dramática redução na duração da vida em termos absolutos de anos — praticamente reduzidos à metade — dos que viveram antes do dilúvio com relação àqueles que viveram após aquele evento cataclísmico. Uma leitura mais atenta de Gênesis 11:10—32 irá nos revelar que uma nova e também marcante redução no número absoluto de anos — outra vez reduzidos pela metade — ocorreu novamente após os eventos relacionados ao personagem Pelegue — ver Gênesis 10:25.

Enquanto Noé, que pertencia ao mundo que existia antes do dilúvio viveu por longos 950 anos — ver Gênesis 9:29 — seu filho Sem, que nasceu ainda nos dias do velho mundo, mas viveu a maior parte da sua vida após o dilúvio alcançou a idade de 600 anos, o que representou uma notável redução quando comparada com os anos vividos por seu pai — ver Gênesis 11:10—11. Começando com os descendentes de Sem, é fácil perceber o acelerado decréscimo no número absoluto de anos daqueles que viveram após o dilúvio. Assim temos:

שֵׁם Shem — Sem viveu 600 anos — ver referência acima.

אַרְפַּכְשָׁד Arphakshad — Arfaxade viveu 438 anos — ver Gênesis 11:12—13.

שָׁלַח Shalá — Salá viveu 433 anos — ver Gênesis 11:14—15.

עֵבֶר Yeber — Héber viveu 464 anos — ver Gênesis 11:16—17.

 פֶּלֶג Peleg — Pelegue viveu 239 anos — ver Gênesis 11:18—19. Notável redução.

רְעוּ Reyú — Reú viveu, como seu pai Pelegue, por 239 anos — ver Gênesis 11:20—21.

שְׂרוּג Serug — Serugue viveu 230 anos — ver Gênesis 11:22—23.

נָחוֹר Nahor — Naor viveu 148 anos — ver Gênesis 11:24—25.

תֶרַח Terah — Tera  viveu 205 anos — ver Gênesis 11:26—31.

Não podemos deixar de notar que tanto o dilúvio quanto a divisão dos seres humanos nas mais diversas nações acabaram por exercer uma poderosa influência no sentido de reduzir o número absoluto de anos dos seres humanos. De acordo com os estudiosos esses eventos produziram estas reduções, basicamente por dois motivos, a saber:

1. O dilúvio alterou de forma considerável as condições climáticas do planeta.

2. A divisão dos seres humanos em diversas nações causou uma substancial mudança nos hábitos das pessoas.

Mas à medida que a duração da vida humana diminuía, filhos começaram a ser gerados cada vez mais cedo. Sem gerou seu primogênito, Arfaxade, quando tinha 100 anos de idade. Arfaxade, por sua vez, gerou seu primogênito, Salá, aos trinta e cinco anos de idade. Salá gerou o seu quando tinha trinta anos e assim sucessivamente. A exceção nessa lista é Tera que gerou seu primogênito aos 70 anos. De qualquer maneira, esta mudança de hábito — gerar filhos cada vez mais cedo — foi a responsável pelo rápido crescimento da população naqueles dias. E essa rápida multiplicação dos seres humanos é a explicação mais plausível para o fato de Abrão encontrar tribos, cidades e reinos por onde quer que estivesse peregrinando a meros 365 anos após o dilúvio. Projeções baseadas em 11 gerações — de Noé até Abrão — contando o nascimento de 8 filhos por casal estimam que somente os semitas somavam cerca de 25 milhões de pessoas. Quando as mesmas fórmulas são aplicadas aos Camitas e aos Jafetitas, baseadas na Tábua das Nações de Gênesis 10, as estimativas são de que a população da Terra nos dias de Abrão deveria ser por volta dos 300 milhões de pessoas. Todos os patriarcas Semitas — de Sem a Tera — estavam vivos quando Abrão ouviu o chamado de Deus e iniciou sua peregrinação sem saber para onde deveria ir — ver Hebreus 11:8.

Esta parte do nosso estudo do livro do Gênesis termina com o fechamento da genealogia em 11:26 de uma forma muito semelhante à que havia terminado em Gênesis 5:32. Naquela ocasião foram mencionados os três filhos de Noé — Sem, Jafé e Cam. Neste momento o texto alista o nome dos três filhos de Tera, filhos esses que terão uma grande importância em toda a história subsequente. Esses filhos são:

1. Abrão — que irá se tornar o pai de todos aqueles que recebem o dom da fé.

2.  Naor — que era um dos ancestrais de Rebeca que veio a se casar com Isaque — comparar Gênesis 11:29 com Gênesis 22:20—23.

3. Harã que era o pai de Ló — ver Gênesis 11:27.

Que motivos teriam levado Tera a sair de Ur dos Caldeus acompanhado de seu filho Abrão, a esposa desse chamada Sarai e seu sobrinho Ló? O texto não nos revela. Harã morreu na terra natal de Ur. Nada nos é dito acerca dos rumos de Naor. Em Gênesis 11:31 nós temos uma explicação porque a descendência de Sem — ver Gênesis 11:10—32 —  é mencionada após os acontecimentos registrados na cidade e na torre chamada de Babel.

O leitor atento irá notar que Gênesis 11 conta a história de dois grupos. Estes grupos são caracterizados da seguinte maneira:

1. Os dois grupos estão em movimento de um lugar para outro.

2. Os dois grupos se estabelecem no local de destino.

3. Os dois grupos viajam, de uma forma geral, na direção que vai do Leste para o Oeste.

O final da história dos dois grupos é, todavia, bastante diferente.

1. A migração do primeiro grupo termina em uma grande frustração acompanhada de uma dispersão maciça.

2. A segunda migração nos fala dos estágios iniciais daqueles que são abençoados por Deus e nos falam de Abrão, um homem escolhido por Deus.

Os nomes dos filhos de Tera nos apresentam uma possibilidade de compreendermos, pelos menos por um pouco, o tipo de ambiente religioso que existia em Ur dos Caldeus nos dias de Abrão. Se a relação do nome Tera com as expressões “yarea” — lua — e “yerah” — mês lunar — for estabelecida então é bastante possível que a família dos ancestrais de Abrão fosse composta de adoradores da Lua. Vejamos alguns exemplos:

1. O nome Sarai, por sua vez, é equivalente a expressão “sarratu”— rainha. Esse nome era uma tradução em acadiano do nome sumeriano da deusa Ningal. Essa deusa era a parceira feminina do deus sumeriano chamado Sin — deus lua.

2. Milca era nome idêntico ao da deusa Malkatu que era filha do deus Sin.

3. Labão quer dizer “branco” e era usado como uma referência comum para representar, de forma poética, a lua cheia.

Além disso, a história registra que tanto Ur dos Caldeus quanto a cidade de Harã eram grandes centros de adoração à lua.

Diante destes fatos nós podemos afirmar que o meio do qual Abrão procedeu era composto por pessoas que adoravam, de forma especial, a lua.

Antes de prosseguirmos com a história de Abrão, propriamente dita, é necessário, fazermos uma pequena pausa para avaliarmos a apropriação que o Novo Testamento faz do conteúdo de Gênesis 11.

CONTINUA...      

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013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2
014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas
015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A
016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B
017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B
019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C
020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19
021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20
022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21
023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22
024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23
025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24
026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25
027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26
028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A
029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B
030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.
031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.
032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.
033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.
034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?
035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água
036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001
037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002
038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001
039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002
040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003
041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ
042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?
044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE
045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
054 — Estudo de Gênesis — A GENEALOGIA DOS SEMITAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/11/genesis-estudo-054-genealogia-dos.html

Que Deus abençoe a todos.


Alexandros Meimaridis


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